Ora (direis) ouvir estrelas

“Ora (direis) ouvir estrelas! Certo
Perdeste o senso!” E eu vos direi, no entanto,
Que, para ouvi-las, muita vez desperto
E abro as janelas, pálido de espanto…

E conversamos toda a noite, enquanto
A via-láctea, como um pálio aberto,
Cintila. E, ao vir do sol, saudoso e em pranto,
Inda as procuro pelo céu deserto.

Direis agora: “Tresloucado amigo!
Que conversas com elas? Que sentido
Tem o que dizem, quando estão contigo?”

E eu vos direi: “Amai para entendê-las!
Pois só quem ama pode ter ouvido
Capaz de ouvir e de entender estrelas.”


O poema Ora (direis) ouvir estrelas faz parte de Via Láctea, livro de Olavo Bilac considerado uma das obras mais representativas do Parnasianismo brasileiro. A obra reúne poemas marcados pelo rigor formal, pela musicalidade e pela valorização da beleza, características que fizeram de Bilac um dos poetas mais conhecidos de nossa literatura. Em seus versos, o poeta transforma o amor, a natureza e a contemplação em uma poesia delicada e cuidadosamente construída.

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Referência

BILAC, O. Poesias. Rio de Janeiro: Livraria Francisco Alves, 1964.

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